A goleada do
Campinense na noite da última quinta-feira (6) foi colocada em xeque por
torcedores e apostadores. A Federação Paraibana de Futebol classificou como
“grave” as suspeitas. O caso irá ao Ministério Público. Dentro de
campo, o rubro-negro da Paraíba goleou o Vitória-PE, por 4 a 0, em Campina
Grande.
Nos
aplicativos de mensagens, torcedores relatam que integrantes de uma rede de
manipulação de resultados “compraram o jogo do Campinense” (sic). Na
conversa de áudio, um torcedor diz que a partida seria 4 a 0 e citou Pezão como
um dos responsáveis pelo esquema.
José Pereira,
o Pezão, assumirá na próxima semana o cargo de diretor de futebol do clube de
Campina Grande. Em nota enviada pelo seu advogado, o dirigente disse
desconhecer “as pessoas dos áudios divulgados e que é falsa qualquer
informação que coloque seu nome nas acusações”.
Na nota,
reproduzida no fim do texto, ele informa que “espera que tamanha desonra
divulgada, de forma inconsequente, não comprometa sua contribuição ao
Campinense Clube. Por fim, coloca-se à disposição para eventuais
esclarecimentos”.
Em um dos
áudios obtidos pelo UOL Esporte (escute ao longo da reportagem), uma outra
pessoa informa que a partida estava bloqueada para apostas nos sites baseados
em Campina Grande e comentava que um amigo jogou em uma casa de apostas no Pará
e ganhou “dinheiro com força”.
Em um
comunicado emitido na noite de quinta, a casa de apostas “Bets
Esportes” informou que o resultado do jogo foi manipulado e informava aos
seus clientes que devolveria o valor das apostas.
O “Bets
Esportes” é mais uma das dezenas de bancas de apostas que operam
ilegalmente no país. O domínio da empresa está registrado no Maranhão. A
reportagem tentou obter contato com a empresa, mas não teve sucesso. O
Campinense é patrocinado por um site de apostas. O principal parceiro do clube
é a “MixBet”, empresa hospedada no Arizona, nos EUA.
A suspeita
deve ser investigada pelas autoridades locais. “Se trata de denúncias
graves e devem ser investigadas e apuradas pelos órgãos competentes”,
disse Michele Ramalho, presidente da Federação Paraibana de Futebol, eleita
após o primeiro escândalo. Ela é a chefe da delegação brasileira na Copa do
Mundo da França, que começou nesta sexta. O caso será enviado ao Ministério
Público.
Outro lado
Organizadora
da competição, a CBF informou que apura informações antes de se manifestar. O
Campinense não se pronunciou. Os dirigentes do Vitória foram procurados, mas
não responderam aos contatos da reportagem.
Credibilidade em xeque na Paraíba
A suspeita de
manipulação de resultados em Campina Grande agrava a credibilidade do futebol
da Paraíba, que atravessa a maior crise da sua história. No ano passado,
dirigentes da federação e de clubes locais foram banidos do futebol acusados de
integrarem um esquema de manipulação de resultados. Gravações revelaram
dirigentes negociando pagamentos para árbitros e adversários. Willian Simões,
então presidente do Campinense, foi um dos banidos do futebol no ano passado
pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).
Jogos vazios são alvos preferidos
Jogos sem
apelo de público e com pouca importância na tabela da competição são os
preferidos das máfias de manipulação de resultados. Com o estádio praticamente
vazio, a partida de quinta-feira em Campina Grande teve apenas 305 pagantes e
não mexeu na tabela da competição. Os dois times já estavam eliminados da Série
D.
A equipe
pernambucana terminou a competição sem nenhum ponto. Já o Campinense deixou a
Série D com sete pontos. A goleada foi a única do time paraibano no torneio. Em
seis partidas, a equipe venceu somente duas e ainda teve um empate e três
derrotas. O mercado de apostas esportivas online foi liberado em dezembro do
ano passado e aguarda a regulamentação no Congresso Nacional. Apesar de ser
proibido no país, cerca de 500 sites baseados no exterior recebem apostas de
brasileiros. Estima-se que as apostas feitas no Brasil movimentaram cerca de R$
4 bilhões neste ano.
A nota oficial de Pezão
José Pereira dos Santos vem, através desta nota, comunicar que
desconhece as pessoas dos áudios divulgados e que é falsa qualquer informação
que coloque seu nome nas acusações. A imprensa não foi cautelosa ao divulgar
acusações graves com base em áudios aleatórios de pessoas (não identificadas)
que, na verdade, se questionam pelos frustrados resultados de seus times,
acusando-o sem qualquer tipo de fundamento. “Pezão”, como é de amplo
conhecimento, ama futebol e, como qualquer torcedor, quer contribuir para
ascensão do clube nos campeonatos e está compromissado com isso; sempre com
ética e honradez! Por esse motivo, espera que tamanha desonra divulgada, de
forma inconsequente, não comprometa sua contribuição ao Campinense Clube. Por
fim, coloca-se à disposição para eventuais esclarecimentos.
João Luis Fernandes Advogado
PORTAL UOL
FOTO SAMY OLIVEIRA/CAMPINENSE