De fato, a participação feminina em espaços de poder na sociedade e na política tem aumentado consideravelmente nos últimos anos e a Câmara Municipal de Campina Grande é prova disso. A Casa de Félix Araújo, composta legislatura após legislatura por homens em sua grande maioria, hoje conta com a presença de uma bancada expressiva de vereadoras, a maior de todos os tempos
Em 2020, a Rainha da Borborema elegeu Eva Gouveia (PSD), Ivonete Ludgério (PSD), Fabiana Gomes (PSD), Jô Oliveira (PCdoB), Valéria Aragão (PTB), Carol Gomes (União Brasil) e Dona Fátima (Podemos), tal como a novela da Globo, a Câmara Municipal tornou-se a “Casa das Sete Mulheres”.
“Eleição histórica para a representação feminina no Legislativo de Campina Grande. Sete mulheres na Câmara Municipal! Seis a mais do que no pleito de 2016. Estou muito feliz! Que mais espaços sejam conquistados”, comentou a senadora Daniella Ribeiro (PSD) logo após o resultado da eleição.
A partir da presença histórica de sete vereadoras no Legislativo campinense, alguns feitos precisam ser destacados: Eva, Ivonete e Fabiana foram as mais votadas no quadro geral em 2020; com mais de 3 mil votos, Jô Oliveira é a primeira negra eleita vereadora de Campina Grande; embora o atual presidente da Casa seja homem, o vereador Marinaldo Cardoso (Republicanos), a Mesa Diretora possui mulheres: A 1º vice-presidente Fabiana Gomes e a 1º secretária Carol Gomes.

Ao portal Brasil de Fato, Jô disse em 2020: “Nunca pensei em estar nesse lugar, nem fui ensinada, como a maioria das mulheres e a maioria da população negra. Então, se nós vamos estar nesse processo que seja com todo mundo que acredita que tem a possibilidade de entender que esse projeto precisa ser coletivo para que ele tenha de fato efetividade”.

Quando olhamos para o passado reconhecemos algumas movimentações que também apontam para uma política e para um futuro mais feminino. Maria Dulce Barbosa em 1947 foi a primeira mulher eleita vereadora de Campina Grande, chegando a ser presidente da Câmara, uma outra conquista inédita. Mais recentemente, em 2017, uma mulher voltou a ocupar o comando da Casa Legislativa, Ivonete Ludgério foi eleita para o cargo de presidente, a única vereadora daquela legislatura. A senadora Daniella Ribeiro começou sua trajetória política como vereadora da cidade, fazendo parte de um seleto grupo composto por nomes como Cozete Barbosa, Lourdes Costa e Tia Mila.
O último Censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou mais de 203 mil mulheres na cidade diante de 182.205 homens, contudo a representação não é proporcional.
No Mês da Mulher – Março – pensar e repensar o papel da mulher na vida útil de uma cidade como Campina Grande é necessário, garantir voz e vez a todas uma urgência que não depende da data nem do mês. Elas precisam ocupar espaços e a sociedade ajudar nesse processo gradativo, mas plenamente possível.
Reportagem Especial – Gabriel Barbosa


